Não atravesso a rua sozinho

"Sinto uma timidez terrível. Mas sinto medo de ser tímido para não sofrer - é o que me faz não ser tímido. O medo de ser tímido é maior do que a timidez. Sou expansivo por falta de opções."


Autor: Fabrício Carpinejar
Editora: Edelbra

Livro gentilmente cedido pela Editora Edelbra

    Quando recebi esse livro juntamente com "Te pego na saída", do mesmo autor, a primeira coisa que me chamou atenção foram as fortes cores nas capas. "Não atravesso a rua sozinho" traz um forte tom laranja, e considero que cores chamativas combinam perfeitamente com estas obras. Resolvi postar as duas separadamente por querer mostrar bem as ilustrações e falar um pouco mais dessa leitura.

    Estes livros contam as histórias, principalmente da infância, de Fabrício Carpinejar, mas mais que isso elas ilustram e nos trazem lembranças de tempos em que infância, brincadeira e comunidade tinham outro significado. Sendo uma criança dos anos 90 e com poucas crianças na rua, eu não experimentei muitas coisas que estão nesse livro em um primeiro momento. Minhas lembranças até os 12 anos são de brincadeiras dentro de casa e muita televisão.

    Entretanto, aos 12 anos eu me mudei para o interior, e isso mudou minha visão de vida. Além de conhecer vidas diferentes do que a minha e ver como pessoas podem viver de forma diferente da que eu vivia, eu pude brincar. Ganhei um par de patins (que pouco usei graças a minha falta de coordenação), um terreno baldio na frente de casa, que acabou ganhando uma quadra de concreto em parte dele, antes que eu me mudasse, duas meninas que moravam na casa ao lado. Isso propiciou muitas brincadeiras e diversões muito diferentes de ficar na frente de uma televisão (não que isso tenha saído totalmente da minha vida rs).


   Achei interessante as memórias de Carpinejar e em alguns pontos eu senti uma nostalgia que não era minha. Suas memórias me fizeram conhecer um novo mundo, que eu nunca conheci, mas me fizeram também pensar no meu, nas coisas que vivi. Quando comecei a ler não me entendi muito com a leitura, confesso. Sua forma de narrar os acontecimentos é estranha para mim, mas após esse momento de estranhamento eu consegui mergulhar na leitura.


   Carpinejar é neste livro uma criança com alguns problemas, mas com muito amor e carinho. O que mais gostei foi a sensação de ser uma coisa verdadeira. O autor não poupou nos bons detalhes, mas também pareceu não esconder os ruins. Recomendo para os que como eu, gostariam de uma viagem à própria infância ou conhecer uma infância recheada de aventuras.


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Ps: Esse livro faz parte do Desafio Literário Skoob 2014,
referente ao mês de Junho.
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