O Segredo de Emma Corrigan


Autora: Sophie Kinsella
Editora: Record

   Emma é assistente em uma empresa de marketing, e após uma viagem frustada de trabalho e vários golpes de azar, ela retorna para casa de avião, algo que a aterroriza. No meio de uma série de turbulências, Emma acha que vai morrer e abre sua vida para o homem que viaja na poltrona ao lado.

    Ela carrega pequenos segredos, coisas que não conta nem para a melhor amiga. Coisas sobre o trabalho, sobre o namorado perfeito (ou nem tanto assim), sobre sua família, seu corpo e sua vida. E ela conta tudo isso para o estranho que acha que nunca mais verá. Até que no dia seguinte, já estabilizada da viagem traumática, o fundador de sua empresa faz uma visita ao trabalho, e ela descobre que seus segredos estão todos com ele.

    Eu simplesmente amo esse tipo de história desencontrada. Emma é uma moça jovem, que está perdida na vida. Ela não encontrou seu rumo profissional, tem questões para resolver em família, e não se sente tão certa assim de seu relacionamento. Ou seja, uma personagem com quem muitas de nós podemos nos identificar, principalmente nesses primeiros anos saídos do colégio.

    Gostei realmente de alguns dos personagens, Lissy, sua melhor amiga, e Jemina, a menina com quem dividem o apartamento, são total opostos e trazem várias coisas engraçadas (e muitas absurdas) para a história. Além disso, engraçado e absurdo é grande parte desse livro, consegui rir bastante durante a leitura. 

    É muito interessante a forma como a autora trabalha os pequenos segredos que guardamos no dia-a-dia, alguns para não magoar quem amamos, outros porque temos vergonha de algo sobre nós, outros porque ninguém tem nada a ver com eles. Gostei da forma como o livro trabalha sobre as ramificações de quando segredos são expostos a alguém e como pequenas coisas podem mudar nossas vidas.

   Eu senti que a personagem principal evolui um pouco durante a história, mas gostaria que o arco final fosse um pouco mais desenvolvido. Senti a conclusão um pouco acelerada e destoante do restante do andamento do livro. Algumas partes, a meu ver, poderiam ser cortadas para que o final se desenvolvesse um pouco mais. Gosto muito da autora e pretendo ler mais livros dela.

   Assisti à adaptação cinematográfica e confesso que fiquei um pouco decepcionada. Não gostei da mudança no final e nem de várias atitudes de alguns personagens, além de achar que várias partes importantes foram deixadas de lado. Deixo o trailer para vocês abaixo. Já leram esse livro, viram o filme? Não esqueçam de comentar ;)



Boa leitura!

Pequenos Incêndios Por Toda Parte

"As regras existiam por um motivo: se você as seguisse, teria sucesso; se não as seguisse, talvez acabasse ateando fogo ao mundo."
Autora: Celest Ng
Editora: Intrínseca

       Shaker Heights é a comunidade perfeita para se viver. As casas tem materiais, cores e gramados padronizados. As escolas são de alta qualidade, formando jovens inteligentes e bem educados. A comunidade preza pela ordem e se orgulha de ser progressista e ligada aos bons costumes. 

     A vida da Sra. Richardson gira em torno desses conceitos. Sua família já está há três gerações na mesma casa, e Elena se orgulha de uma vida centrada, organizada, digna de um comercial de margarina. Casada com o homem que conheceu na faculdade, um bem-sucedido advogado, os dois tem quatro filhos e uma condição financeira que os permite viver com muito conforto.

    Mia Warren, por outro lado, é uma artista independente, que aluga a casa da família Richardson e se muda com sua filha adolescente, Pearl. As duas famílias acabam se envolvendo de maneiras diversas, e o choque do estilo de vida e valores dos dois lares pode mudar a vida de todos. 
"Ela não se importava, percebeu a Sra. Richardson, com o que pensavam dela. De certa forma, isso a tornava perigosa."
    É extremamente interessante ver a construção dos personagens nesse livro, pois nenhum deles é unidimensional. Todos possuem diversas facetas e muitas vezes se contradizem durante a história. Comecei a leitura levemente interessada e até um pouco entendiada com as descrições de Shaker Heights e todas as suas maravilhas, mas os personagens me cativaram de uma maneira que não consegui soltar o livro até terminá-lo.
" - Sinto dizer que não tenho  um plano - falou, erguendo o estilete. - Mas na verdade ninguém tem, não importa o que diga."
    Mia e Elena são personagens extremamente opostos. Elena se orgulha da ordem e das regras, enquanto Mia vive o momento. É interessante notar como a autora se refere a elas na maior parte do livro. Elena é Sra. Richardson, mas Mia é somente Mia. Raramente vemos seu sobrenome ligado a ela. Apesar de Mia não ser uma Sra. X, pois não tem marido, gosto de pensar nisso como uma indicação do senso de individualidade dela, e não da falta de um título. 

    Um personagem que pouco aparece é o Sr. Richardson, mas alguns momentos, em que ele se pronuncia ou aparece na história, são bastante interessantes. Além do desenrolar entre essas duas famílias, temos também uma batalha de guarda com discussões raciais e sobre o que é maternidade, que me interessou bastante. Podemos defender vários personagens sobre diferentes aspectos, e o livro todo, para mim, é uma grande discussão sobre decisões, julgamentos e morais.
"Ali ela descobriu que tudo tinha nuance, um lado não revelado ou profundidade inexploradas. Tudo merecia ser analisado com mais atenção."
    Outra questão que o livro debate também é sobre caridade / boa ações e suas intenções e motivações. Em diversos momentos a riqueza é tratada como uma superioridade inviolável e inquestionável, a ponto de alguns personagens nem pensarem em questões práticas do futuro. A ajuda aos menos favorecidos é tratada como uma obrigação moral, mas que é validada pelo merecimento. Quantas vezes não ouvimos isso na sociedade atual?
"Afinal, eles não era os mais espertos, os mais sábios, os mais atenciosos e prevenidos, os mais ricos e mais esclarecidos? Não era dever deles instruir os outros? A elite não tinha a responsabilidade de partilhar seu bem-estar com os menos afortunados?"
    Terminei essa leitura com os nervos à flor da pele. A sensação de querer mudar as coisas, de repensar várias situações do dia-a-dia e sobre como a sociedade funciona é enorme. Amo livros que mexem com os sentimentos de forma tão profunda e que me fazem refletir. Recomendo como uma leitura reflexiva, não só um suspense para saber como a história termina. Acabei o devorando em poucas horas, mas esse livro vale uma leitura vagarosa e contemplativa também. 

    Quero ver a adaptação, mas espero que consigam reproduzir as sutilezas e situações interligadas que esse livro conseguiu trazer à vida de uma forma tão delicada. E vocês, já leram Pequenos Incêndios por Toda Parte? Não esqueçam de comentar.

Boa leitura!

Minha Sombria Vanessa


GATILHO: Abuso Sexual, Pedofilia, Relacionamento Abusivo
ATENÇÃO: Esse livro é contém conteúdo para um público adulto (maiores de 18 anos)

Autora: Kate Elizabeth Russel
Editora: Intrínseca

      Vanessa Wye aparece em diversas idades nesse livro. Dos 14 aos 30 e poucos anos, o livro passa de sua adolescência à sua vida adulta, mais especificamente, de 2000 à 2017. Aos 15 anos, Vanessa é uma estudante de colégio interno muito fechada, sem amigos e distante da família. Tem interesse particular por poesia e literatura, e é no professor dessa matéria, Jacob Strane, de 42 anos, que ela encontra alguém que se interessa por seus textos e indica livros, passando de uma relação de professor-aluna para alguém que ela considera seu primeiro amor.

    A Vanessa de 2017 já enfrenta alguns problemas pessoais quando algo acontece: uma ex-aluna de Strane o acusa de abuso sexual. Mergulhada nas memórias do passado e ainda mantendo contato com o professor, Vanessa reavalia sua adolescência e seus sentimentos quanto ao relacionamento e suas consequências em sua vida. 

"Parece estranho um homem de meia-idade reparar nas roupas de uma menina. Meu pai mal sabe a diferença entre um vestido e uma saia."

    Ler esse livro foi algo pesado para mim. De cara, a autora esclarece que não é baseado nem na sua própria história nem de ninguém que conheça, mas nem por isso deixa de ser perturbadora. O livro levanta vários questionamentos (que devem ser levantados, diga-se de passagem) e aborda diversas versões para a mesma questão. Como a reação de vítimas de abuso pode ser totalmente diferente, como a visão do que é um abuso pode ser diferente. 

    Vanessa conta para quem a confronta que a história que viveu foi complicada, que ela não é sobrevivente de abuso. Mas em vários momentos ela demonstra se sentir de outra maneira. Strane é a primeira pessoa que ela sente que a viu de verdade, que diz serem iguais. Um homem inteligente, sofisticado, culto. Ao mesmo tempo em que Vanessa se sente poderosa, especial, venerada, ela se sente desconfortável, manipulada, e se questiona do que lembra e do que sente.

"Fico sem ar ao pensar em como estou perto de um grave passo em falso. Uma única reação errada poderia arruinar tudo."

    É muito doloroso acompanhar o processo de aliciamento pelo que passa e os abusos são muito explícitos e detalhados. A sua vida de 17 anos depois ainda é muito afetada por tudo que a protagonista passou. Se você for sobrevivente, tenha cuidado a ler esse livro, pois pode trazer muitos gatilhos. Ao mesmo tempo, tive a impressão de ler algo que pode ajudar as pessoas a entenderem melhor essa questão de abuso e de como isso modifica e marca uma pessoa, além de ajudar a prevenir.

"Eu não digo, mas às vezes tenho a sensação de que é exatamente isso que ele está fazendo comigo: me desconstruindo, me montando outra vez como alguém novo."

    Diversos adultos tiveram o poder de parar esse abuso, de interferir no que estava acontecendo, e muitos viraram as costas, inventaram desculpas, priorizaram outras questões. Vanessa não tinha educação sexual, orientação familiar ou uma rede de suporte próxima. Ela não se sentia segura para confidenciar com ninguém, e se sentia envolvida em problemas toda vez que alguém se preocupava com a sua situação.

    Poderia escrever páginas e mais páginas sobre esse livro e como me afetou. Como esse tipo de coisa afeta a vida de muitas meninas reais, que sem apoio podem sofrer consequências por muitos anos. Se você passou por algo abusivo, procure ajuda. Se apoie em alguém de confiança, faça terapia, não desista de quem você é e de quem pode ser. 

    Deixo aberto a sessão de comentários e a caixa de mensagens do Facebook e do Instagram para quem quiser conversar sobre esse livro.  

"Porque se não for uma história de amor, então o que é?"

Um Coração Cheio de Estrelas


Autores: Alex Rovira e Francesc Miralles
Editora: Lua de Papel

    Michel e Erin moram em um orfanato e são melhores amigos, mas um dia Erin não acorda. Ninguém sabe o que houve, ela está em um sono profundo e nenhum médico consegue descobrir  o porque e nem como acordá-la.

    Desesperado, Michel tenta se manter próximo e encontrar uma solução, pois não pode perder Erin. Ele encontra uma senhora que o manda procurar nove tipos de amor e recortar estrelas das roupas das pessoas que o ensinarem sobre eles, para que ela possa tecer um grande coração.

    É um livro bem pequeno, com pouco mais de 100 páginas, então não dá para detalhar muito a narrativa sem dar spoilers, mas foi uma leitura leve, de acalmar o coração. Traz um tom de auto-ajuda, mas era o que eu precisava nesse momento tão complicado no mundo. 

   Michel é um menino doce e ainda traz a confiança e esperança da infância, e é com essa visão que ele procura pelos tipos de amor e aprende lições sobre o que e como amar. Gostei também que no final do livro há uma lista de citações relacionadas a cada tipo de amor.

    Recomendo para quem procura algo leve e rápido para ler, é um livro bem fofinho. 

Boa leitura!

Thirteen Chairs


Jack is a curious boy. Jack é um menino curioso.

Autor: Dave Shelton
Editora: David Fickling Books

     Na cidade de Jack há uma casa abandonada. Em um dos cômodos há uma leve luz acesa, e ele se debate entre duas opções: parte dele o manda ir embora, pois não se sabe o que pode haver lá dentro. Mas ele é um rapaz curioso, e sua curiosidade o impulsiona a descobrir o que está acontecendo. Nessa noite escura, Jack entra na casa.

    Dentro de uma sala, uma mesa com doze pessoas e um lugar vazio. Na frente de cada cadeira, uma vela acesa. Jack é convidado a entrar, e nesse momento ele conhece os participantes e descobre o que está acontecendo lá. Cada um tem sua vez, cada um conta uma história. 

    Thriteen Chairs é um livro que me chamou a atenção pela capa, sendo bem sincera. Eu sempre olhava a seção de livros estrangeiros na Saraiva (a do shopping que frequento fechou, infelizmente, além de estar tudo fechado agora) e a sinopse também me deixou curiosa. Uma amiga minha que estava comigo viu que eu estava interessada e comprou para mim <3

   O livro é composto por treze contos, e todos eles costurados por uma história central. A expectativa pelo que virá em cada história e depois dela, constrói uma atmosfera interessante, e como cada capítulo contém um conto, o leitor pode dividir a sua leitura nessas partes. Apesar de estar curiosa para saber como tudo ia terminar, eu acabei lendo devagar, uma vez que não tenho conseguido me concentrar muito. 

    Tenho apreciado mais os contos com o passar dos anos, na adolescência achava insuportável não ter mais desenvolvimento ou muitas vezes desfecho nessas curtas histórias. Gostei de todos que foram contados, uns mais que os outros, mas de forma geral achei que o livro valeu a pena e foi uma leitura que me motivou a continuar lendo até o final.

    Infelizmente não vi edição brasileira deste livro, mas vocês podem encontrá-lo em lojas virtuais. Alguém aqui já o leu? Deixem seus comentários abaixo :)

Boa leitura!

O Duque e Eu



Autora: Julia Quinn
Editora: Arqueiro
Série Os Bridgertons, Livro 01

   Este é o primeiro livro de uma série composta por nove volumes, que conta a história da família Bridgerton, que tem oito filhos, quatro mulheres e quatro homens. O Duque e Eu nos apresenta a Daphne, que é a filha mais velha e a quarta criança por ordem de nascimento.

   Daphne é nascida em 1792 e está sendo apresentada à sociedade há algum tempo, tendo algumas propostas de casamento rejeitadas. Ela é uma mocinha espirituosa e animada, que por ter três irmãos mais velhos, tem algumas atitudes e posicionamentos diferentes das outras moças da sua idade. A família Bridgerton mantém uma dinâmica diferente da usual na época, sendo muito carinhosa e unida. 

    Outro personagem nessa história que não pertence à essa família é o Duque Simon Basset, melhor amigo do filho mais velho, Anthony Brigerton. Os dois frequentaram à faculdade juntos e depois de alguns anos viajando, Simon está retornando à sociedade londrina. Decidido a nunca se casar, ele se une a Daphne para fugir das mães casamenteiras nos bailes, enquanto a mocinha aproveita sua atenção para tentar conhecer um pretendente que a agrade.

    Com a convivência frequente, a relação entre os dois se torna estremecida, e Daphne se vê envolvida no charme do Duque que é conhecido por sua fama de conquistador. Enquanto tenta conservar seu coração, Daphne procura entender o que aconteceu no seu passado para que ele seja tão contra o casamento.

   Essa série de livros faz parte de uma conversa que tive há anos com duas amigas minhas, e depois de tanto tempo resolvi dar uma chance a ela. Estou interessada na família e gostei muito da personagem principal, mas algumas coisas no livro me incomodaram. Algumas passagens machistas e algumas atitudes que não condiziam com o caráter montado dos personagens me chamaram a atenção, mas de uma maneira geral a leitura me distraiu e me manteve interessada para terminar o livro.

   Achei o conflito que foi colocado na parte final descabido e que a relação deles poderia ter sido melhor desenvolvida, mas fiquei curiosa também com alguns personagens secundários que fizeram uma aparição rápida nesse livro, espero que apareçam mais para frente. Outro motivo que me fez lê-lo agora, foi a série que a Netflix está produzindo baseada nesses livros.

   Pretendo continuar lendo os próximos volumes e trazê-los aqui para o blog :) E vocês, já leram essa série? Não esqueçam de comentar :)

Boa leitura!

Não conte para a mamãe

"Eu sentia segurança no amor de minha mãe. Ela deveria ter mandado ele parar. Não mandou."


Autora: Toni Maguire
 Editora: Bertrand Brasil

   Toni Maguire é uma mulher de sucesso que enfrenta um período difícil na vida de todo ser humano: a perda da mãe. Paciente terminal, sua mãe se encontra numa casa de repouso enfrentando dores e seus últimos dias de vida. Cumprindo seu papel de filha, Toni atende ao pedido da mãe e se hospeda na casa para acompanhá-la.

   Mas essa viagem se torna muito mais dolorosa, à medida que a autora e personagem principal do livro revive memórias de uma infância negligenciada e extremamente abusiva. Sofrendo abuso psicológico, físico e sexual do pai, Toni cresceu sem o apoio e proteção da mãe e dos familiares, além de vários outros adultos à sua volta que a culpabilizaram e a mantiveram numa situação abusiva.

   Esperando algum tipo de reconhecimento ou pedido de perdão da mãe, ela enfrenta memórias reprimidas e nos conta sua história, onde sofre abuso desde os seis anos de idade, isolamento de amigos e família  e inúmeras situações que deixam cicatrizes emocionais e físicas para o resto de sua vida.

   O tema do livro já é pesado por si só, mas enfrentar a realidade de que é uma história real, vivida pela própria autora, é brutal. A coragem de Toni, que não é seu nome de batismo, mas um nome escolhido para se reinventar e deixar a dor para trás, ao reviver e escrever sua história é imensa e essencial, uma vez que infelizmente o abuso e negligencia de crianças ainda é alto e muitas vezes ignorado pela sociedade.

   A minha geração, de 1990, veio de um ciclo de "se não apanha, não aprende", "criança não interrompe adulto", "criança educada não pergunta nem fala muito" e inúmeras outras frases que são danosas e transmitidas de gerações em gerações. Felizmente tem se aberto mais o debate para proteção à criança e mudança de padrões, mas esse comportamento ainda é muito reproduzido.

    É essencial recordar que crianças são seres humanos que estão se formando e recebendo suas primeiras impressões e aprendendo a lidar com o mundo durante a infância. O modo como são tratadas pelos pais e pela sociedade nesse período molda sua forma de ver o mundo, muitas vezes de forma irreversível. 

    A leitura desse livro foi muito difícil para mim, por vários motivos. Comprei-o há alguns anos e sempre esteve à minha vista na estante, mas nunca conseguia pegá-lo para ler. Como esperava, foi uma leitura difícil e dolorosa, mas acho que precisamos desse choque de realidade, pois mesmo que a situação não seja tão extrema quanto a de Toni, precisamos refletir sobre como nossas ações afetam ao próximo, e o que fazer para que não tenhamos mais Tonis sofrendo pelo mundo.

A Fantástica Fábrica de Chocolate



Autor: Roald Dahl
Editora: Martins Fontes

   Como uma brasileira nascida na década de 90, eu assisti A Fantástica Fábrica de Chocolate diversas vezes no SBT e também vi o remake que saiu anos depois. A história sobre uma fábrica mágica que é comandada por um chocolateiro excêntrico marcou várias crianças e adultos. Alguns anos atrás comprei o livro no qual o filme se baseou e foi o primeiro livro que li neste ano de 2020.

    A história começa apresentando a família de Charlie Bucket. Filho único em uma casa onde convive com a extrema pobreza, ele divide um quarto com colchões no chão com seus pais enquanto seus quatro avós dividem uma cama no outro quarto, e suas refeições se baseiam em pão, batata e principalmente, repolho.

Charlie Bucket (ilustração do livro)

   Apesar da vida difícil, Charlie é um menino muito bondoso e preocupado com seus familiares, que o amam muito. Eles se reúnem todas as noites para meia hora de conversa, e as histórias maravilhosas que seu avô conta sobre a fábrica de Chocolate e o Sr. Wonka, seu excêntrico proprietário, atiçam sua curiosidade. 

    A fábrica se localiza próximo à casa do menino, no seu caminho para a escola, e todo dia o menino sente o delicioso cheiro de chocolate no ar. Devido às condições de sua família, Charlie só come uma barra de chocolate por ano, seu presente de aniversário, e sonha com todas as guloseimas que são produzidas lá. 

    Fechada há muitos anos, não se vê entrando nem saindo pessoas da fábrica, somente os caminhões que carregam o delicioso chocolate e outras maravilhas para o mundo todo,  o que aumenta mais ainda a curiosidade de todos sobre o que se passa lá dentro. Um belo dia, o Sr. Wonka lança cinco cupons dourados pelo mundo, com a promessa de uma visita à fábrica e doces para o resto da vida dos cinco visitantes. Tudo que Charlie precisa é de um cupom dourado, e seu aniversário está chegando.

Charlie e seus avós
   O livro traz crianças com grandes diferenças de criação, classe social e personalidade. Através delas o autor traz pequenas lições de moral sobre comportamento, educação e sobre como a criação e personalidade dos pais se reflete nos pequenos de certa maneira. 

    Eu gostei da leitura, foi um livro rápido e bem leve, que foi agradável de ler logo no começo do ano. Em comparação aos livros a história fica um pouco apagada, na minha opinião. O Sr. Wonka dos livros é muito mais excêntrico e tem uma vivacidade que não consegui visualizar no personagem do livro. As músicas das versões cinematográficas e os belos cenários também fazem um ótimo trabalho em animar e trazer a fábrica à vida.

    De maneira geral gostei do livro e acho muito indicado para o público jovem, por ser curto e ter ilustrações divertidas. O traço dos personagens é muito fofo e ajuda na hora de imaginar o que está acontecendo na leitura. 

    E vocês, já leram esse livro ou viram os filmes? Não esqueçam de comentar! E que 2020 seja um ótimo ano para todos nós <3

Boa leitura!
  

The Wide Window

ATENÇÃO: Terceiro livro da série A Series of Unfortunate Events / Desventuras em séries, cujo primeiro livro é The Bad Beginning. Para quem não leu os anteriores, essa resenha contém spoilers.

"The Baudelaires' fears was that misfortune would soon befall them. On one hand, this was an irrational fear, because Aunt Josephine seemed like a good person, and Count Olaf was nowhere to be seen. But on the other hand, the Baudelaires had experienced so many terrible things that it seemed rational to think that another catastrophe was just anround the corner."


Autor: Lemony Snicket
Editora: HarperCollins
Publicado no Brasil como: 
O lago das sanguessugas, editora Seguinte.

    Depois de perder um guardião querido pelas crianças, os irmãos vão morar em uma cidade com um grande lago, na casa da tia Josephine (mais um parente distante e desconhecido). O lugar não deixa uma boa primeira impressão, e nem a guardiã. Tia Josephine é uma viúva que tem medo de tudo, inclusive do fogão.

    Morando numa casa que parece prestes a cair no lago a qualquer momento, as crianças não estão tendo momentos muito felizes, e sentem faltam tanto do lar quanto do último guardião, tio Monty. Tia Josephine não é má, mas presta muito mais atenção à gramática do que aos órfãos, e seu medo de tudo acaba fazendo com que algumas coisas sejam difíceis de engolir.

    Como a série diz, a desventura dos irmãos mais uma vez começa, e dessa vez eles se arriscam mais que o normal, tendo uma grande decepção. De que maneira eles vão conseguir sair de mais uma armadilha?

    Bom, o livro é bem pequeno e o mais que isso eu estaria dando spoilers, mas posso afirmar que até agora a Tia Josephine é a personagem de quem eu menos gosto. Além de não escutar os irmãos em nada (e muitas vezes interrompe-los para corrigir erros gramaticais) ela tem uma personalidade nada agradável. 

    Achei esse livro um pouco mais parado que os anteriores, mas mesmo assim gostei da leitura. As crianças novamente se superam nas adversidades e os adultos não prestam a mínima atenção em nada que não seja puramente do seu interesse. Como o próximo livro não entrou no roteiro do filme, eu estou curiosa para ver o que me aguarda nessa série. E vocês, ainda estão ai?

Boa leitura!

Dom Casmurro


"O meu fim evidente era atar as duas pontas da vida, e restaurar na velhice a adolescência. Pois, senhor, não consegui recompor o que foi nem o que fui. Em tudo, se o rosto é igual, a fisionomia é diferente. Se só me faltassem os outros, vá; um homem consola-se mais ou menos das pessoas que perde; mais falto eu mesmo, e esta lacuna é tudo."

Autor: Machado de Assis
Editora: Textos para Reflexão

   Dom Casmurro dispensa apresentações. Clássico da literatura, já foi muito discutido, analisado e dissecado. Já havia lido há alguns anos, mas queria dar uma relida para o vestibular da UERJ de 2017, e aproveitei para pegar uma edição digital. (Sim, já li e escrevi esse post há algum tempo :p)

    Bento narra acontecimentos de seu nascimento à sua vida adulta, permeada de promessas e influência de terceiros. Filho único de uma jovem viúva, sua mãe fez uma promessa a Deus de que lhe poria no seminário e o ordenaria padre, o que foge aos desejos do mesmo quando se torna rapaz. 

    Capitu por sua vez é sua vizinha, os dois cresceram juntos e na adolescência essa amizade cresce e se torna algo mais. Criticada por um agregado que mora na casa de Bento, se torna uma ameaça para o futuro de seu vizinho como padre, e é citada como motivo para que seu envio para o seminário seja feito de forma mais apressada.

    O personagem principal, Bento, é personagem e narrador do livro, e somente acompanhamos sua visão dos eventos, o que traz muita repetição à história. Em momentos ele afirma lembrar de tudo em de forma detalhada e em outros que sua memória não é muito boa. É extremamente influenciável pela opinião dos outros e cego de ciúme por Capitu, seu par romântico. Só o olhar de outro homem ou o roçar de um braço no de Capitu já o leva a loucura. 

   Metade do livro cobre sua vida até adolescência e a outra metade sua vida adulta. Não senti amadurecimento durante esse período e algumas atitudes refletem muito o adolescente. Não vou entrar muito em detalhes aqui, porque apesar de ser um clássico da literatura acredito que as próximas gerações tem direito a uma leitura sem spoilers (inclusive se você veio aqui para conseguir um resumo para a escola ou o vestibular, leia o livro. Não há resumo que vá cobrir o conteúdo completo do livro e sempre há o que aprender).

    Não gostei muito da leitura da primeira vez e também não curti muito da segunda. Achei que tinha julgado mal o livro até a metade, mas segunda parte foi difícil de ler. Bento se repete, estende momentos desnecessários e corre onde deveria ter mais detalhes. Tirando que toma atitudes reprováveis em alguns momentos. 

   Mas, como sempre digo, por mais que você acompanhe a opinião de outros leitores, não deixe de ler e formar a sua, se você estiver interessado no livro. Nada melhor que formar a sua própria opinião, e você pode ter uma visão totalmente diferente da minha em relação ao livro e ao conflito que trás. Não esqueça de comentar abaixo :)

Boa leitura!


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