Cidade dos Ossos



Autora: Cassandra Clare
Editora: Galera Record

  Clary vai acompanhada de seu amigo Simon à boate Pandemônio, cercada de adolescentes góticos, punks, e música alta. Na fila, se interessa por um menino de cabelo azul, que carrega uma estranha viga de madeira com pontas afiadas. Acompanhando-o com o olhar, Clary acaba presenciando um crime que ninguém mais vê, cometido por três estranhos adolescente armados e marcados com estranhas tatuagens. 

   Como se isso não bastasse, no dia seguinte um dos meninos que cometeu o crime reaparece, Jace conta que é um Caçador de Sombras, que tem como missão matar demônios e criaturas do Submundo (vampiros, lobisomens, fadas, feiticeiros) que matem humanos. Clary, como humana, não deveria conseguir vê-los. E para aumentar o mistério, sua mãe desaparece, com indícios violentos em sua casa. Clary então se junta à Jace, Isabelle e Alec, caçadores de sombras, e tenta descobrir o que há por trás disso.

   Comecei a ler esse livro e não sosseguei até terminar os quatro já lançados no Brasil. Já comprei o ebook do quinto e comecei a ler. A história é extremamente envolvente, os personagens cativantes e complexos. Tem que se manter na cabeça que é um livro juvenil, e a linguagem acompanha essa faixa etária. 

   Jace é o típico badboy pertubado. Lindo, forte, apaixonante. Clary é uma menina baixa, não se descreve como muito sedutora, mas que tem uma teimosia e força fora de série. Simon, seu melhor amigo é um doce, nerd, está sempre ao lado dela. Isabelle é uma menina alta, sedutora, inteligente. E Alec é o menos simpático, mas depois conseguimos entender sua complexidade também.

  O livro é repleto de aventura e reviravoltas. A escrita é fluída e o intercalar das cenas não atrapalha o ritmo, pelo contrário. A visão muda entre os personagens, o que torna a história mais explicada e interessante. Nesse livro conhecemos melhor os vampiros, mas temos contato também com outras raças do submundo.

   Uma coisa que me deixou nervosa a ponto de terminar o terceiro livro rapidamente e chegar a procurar spoiler acontece no final e já aviso, isso acontece em todos os livros. Percebi que vou terminar o quinto livro e me atormentar até ano que vem, quando sair o sexto.

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Quarto



Autora: Emma Donoghue
Editora: Verus

   Jack tem cinco anos e mora com sua mãe. Eles moram em um quarto, com uma cama, televisão, fogão, geladeira, armário. O mundo existe dentro desse espaço, e Jack acha que tudo que existe na televisão não existe no mundo real. Eles vivem numa realidade em que o dia se resume a fazer exercícios, se alimentar, ler alguns livros infantis e ver televisão.

   O livro é muito emocional. Jack é um menino doce, mas tem suas peraltices e revoltas, e é muito curioso. Ama sua mãe e se diverte com amigos que vê na televisão, como Dora, a aventureira, ou personagens de seus livros. Faz atividades manuais com sua mãe, como desenhos e montagens e está satisfeito com o modo como vive. Uma criatura misteriosa povoa seus pensamentos: o velho Nick, o homem que os alimenta, recolhe o lixo e os visita de noite. Sua mãe não permite que os dois se vejam, e Jack tenta visualizar como ele é. Quando Jack faz cinco anos, sua mãe traça um plano para que saiam de lá, e desestabiliza o mundo do menino. O final desse plano só vai descobrir quem ler o livro ;)

  O sequestro e prisão em cativeiro são tratados de uma maneira muito infantil e ingênua. É muito interessante visualizar dessa maneira. Para Jack, tudo está bem. Ele fica preocupado com sua mãe, que tem alguns problemas de saúde, mas a vida corre normalmente, sua mãe o protege de todo o perigo e preocupação, e ele não percebe o que está perdendo no mundo. 

   Vemos também a questão do desenvolvimento infantil. Jack sofre alguns atrasos de desenvolvimento graças ao confinamento desde o nascimento. Seu vocábulo é extenso,  pois sua mãe se esforça para ensiná-lo, mas sua concepção de mundo é irreal e ele não conhece algumas coisas básicas do mundo real e consequentemente, várias regras sociais. Por exemplo, Jack ainda é alimentado com leite materno, mesmo tendo 5 anos. Na sociedade atual é no mínimo não usual uma criança de 5 anos ainda ser alimentada assim.

   Existe todo outro lado do livro do qual não posso falar sem estragar uma parte importante, mas o livro é maravilhoso, e vale muito a pena. Acabei demorando a lê-lo, mas adorei a leitura. Aborda muitas questões relevantes à maternidade, humanidade. Cada vez que leio algo relativo à cárcere em cativeiro, me entristece o fato de que muitos passam anos nessa situação sem que ninguém perceba, e me surpreende a força das vítimas quando voltam ao mundo real. A visão de uma criança é sempre diferente da dos adultos, e em alguns casos, como em Quarto, nos traz uma perspectiva maior dos problemas e situações em que vivemos. 

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ESPECIAL: Mães e livros


Minha mãe e eu (1990)

   Essa semana vamos ficar sem resenha. Talvez eu poste algo durante a semana, mas nada prometido :)

   Hoje eu quero falar de uma questão muito importante. Os blogs e leitores de forma geral debatem muito o problema atual da falta de leitura. As gerações atuais leem cada vez menos, entretidos na internet, televisão. E isso se reflete muito na falta de interpretação de texto, problemas nos estudos, dificuldade na hora de escrever na forma culta, falta de criatividade e imaginação, e o mais importante, na falta de capacidade de analisar criticamente o mundo.

   Falando de mim, tive muito apoio para ler enquanto crescia. Meu pai e minha mãe são pessoas que gostam muito de ler (ele mais leitura de lazer, ela mais leitura técnica), e em casa tínhamos revistas da Turma da Mônica em vários cantos da casa (inclusive em uma gaveta no banheiro :p ). Eu me lembro de quando pequena ter dois livros específicos: um de pano e um inflável, com figurinhas de um menininho, falando de higiene, e eu adorava "ler" toda hora.

   Minha mãe me ensinou as letras antes mesmo de que eu começasse a ir para o jardim de infância, e entrei no Jardim I já sabendo identificar o meu nome e as letras do alfabeto. Conforme fui crescendo, estava cercada de revistas em quadrinhos (não só da Turma da Mônica, mas também do Groo, Asterix, entre outros) e vários livros, inclusive li uma adaptação juvenil de Romeu e Julieta com uns 7 anos, e um livro que me marcou muito foi esse:

(Longe é um lugar que não existe - Richard Bach)

É um livro pequeno, com muitas figuras e aproximadamente uma frase por página, mas é maravilhoso. Traz questionamentos existenciais e ensinamentos bastante complexos.

   Depois que meus pais se separaram, comecei a frequentar as bibliotecas dos colégios, e conheci os clássicos, e vários juvenis como Pedro Bandeira, Ana Maria Machado, alguns do Walcyr Carrasco, e sempre me diverti e viajei com eles. Apesar da preocupação de que eu não interagisse muito com o mundo real, minha mãe sempre apoiou esse vício, inclusive sustentando várias revistas que eu comecei a ter interesse (História Viva, Scientific American, Superinteressante) e cheguei até a ler alguns livros dela de Medicina :p

    Fiquei muito triste quando há umas duas semanas, na Livraria Travessa do Barra Shopping, eu estava saindo da loja e passou uma pequena família por mim, um menino de uns 10 anos, mãe e pai. O menino travou mais ou menos o seguinte diálogo com a mãe:
- Mãe, será que tem Harry Potter aqui?
- Ah filho, deve ter, mas é muito grande pra você.
   Mães, não façam isso com seus filhos. Não digam que é um livro muito grande. Se for um livro inapropriado para a idade dele (o que Harry Potter não é, nesse caso), diga que é um livro para adultos, e que ele poderá ler quando for maior (o que minha mãe falou para mim quando tentei por ler, por exemplo, Lolita). Incentivem a leitura. Deixem que seus filhos descubram o gênero de leitura que eles gostam, se eles gostam de ler. Alimentem não só seus sonhos, mas também todo um hábito que faz o ser humano crescer muito.

    Gostaria de deixar aqui o meu eterno agradecimento à minha mãe por me ajudar nesse caminho como leitora, e por ser uma pessoa que está sempre atrás de conhecimento. Deixo meu apelo para que as mães (tanto as que já são, como as futuras) apoiem e ajudem seus filhos na transição entre bebê e leitor. Levem as crianças às livrarias e deixem que elas se encantem, não transformem a leitura num dever de estudo ou minimizem-na como perda de tempo. Grande parte do amadurecimento e cidadania de uma pessoa se constrói do conhecimento pessoal, de dentro, e a leitura ajuda muito nesse processo, quando bem aproveitada.

   Feliz dia das mães e um grande beijo para a minha <3

As vantagens de ser invisível

"Então, esta é a minha vida. E quero que você saiba que sou feliz e triste ao mesmo tempo, e ainda estou tentando entender como posso ser assim."


Autor: Stephen Chbosky
Editora: Rocco

   Por meio de cartas que Charlie envia para alguém não definido, ele conta sua história e o que acontece na sua vida em um período de aproximadamente um ano. Charlie está começando o Ensino Médio e está nervoso com isso. Sem amigos, vai começar um dos ciclos mais difíceis para um adolescente. Seus problemas do passado o perturbam, mas ele também tem seus bons momentos.

   Um tempo depois de um começo não muito agradável, ele conhece Patrick, e por ele, sua irmã  Sam, sendo eles veteranos. Os dois são totalmente diferentes das pessoas que Charlie está acostumado a ter em sua vida. Imprevisíveis, animados, e com um certo nível de problemas também.

   Charlie enfrenta alguns problemas em casa. Sua mãe, uma mulher que é ao mesmo tempo doce e  quieta, seu pai, um homem sério e atencioso, mas não muito afetuoso, e sua irmã e irmão que quase não falam com ele, o fazem ser mais isolado ainda. Sua Tia Helen, a pessoa da família com quem ele melhor se dava, morreu quando ele era criança.

   Viajamos nas cartas em um mundo totalmente emocional e descontrolado. O livro tem boa cadência, mas Charlie claramente é uma pessoa extremamente pensativa, e se perde nos pensamentos até mesmo na escrita. Lidamos com alguns fatos desconhecidos e misteriosos em sua vida que são revelados durante a leitura, nos instigando a continuar.

   O livro é muito doce, e Charlie é o típico adolescente tímido e perdido. Gosta muito de acompanhar o mundo, observando tudo, e é extremamente perceptivo. Apesar de ser em primeira pessoa, não achei que deixasse nada a desejar. Apesar de quieto, Charlie é inteligente e nos dá várias dicas de leitura, citando os livros que está lendo no momento, e de música, com as músicas que tocavam em determinado momento de seu relato.

    Fiquei imersa na leitura e acabei não lendo tão rápido quanto gostaria durante a semana, então terminei hoje e acabei vendo o filme em seguida. Para quem não conhece, os personagens estão retratados acima, pois a capa do livro é a capa do filme. Emma Watson interpreta Sam, e confesso que só estava interessada no filme por esse motivo. Não conhecia a história direito, mas resolvi ler o livro antes de assistir a história.

   Gostei muito do filme. Ezra Miller, que interpreta Patrick, conseguiu desenvolver perfeitamente o papel, trazendo toda a emoção do personagem à tela. Emma Watson está perfeita como Sam (apesar de que não posso falar muito por ser suspeita nesse assunto, adoro a Emma), e temos outros ótimos atores. Imaginei Charlie diferente do ator que o representou, mesmo já tendo visto o trailer antes de ler, mas não tenho nada a reclamar.

   Acabei ouvindo a trilha sonora enquanto escrevo a resenha e recomendo que o leitor faça as três coisas. O livro, o filme e a trilha sonora são ótimos. Fico chateada de não ter ido ver no cinema, só passou em uma sala aqui no Rio e o horário não dava para ir. O livro é muito profundo e a história é complexa, apaixonante. Me apaixonei por várias frases do livro, e estou colocando algumas das que gostei mais na página do blog no facebook para quem estiver curioso (pode ficar tranquilo, não tem spoiler!).

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