Os Deixados Para Trás

"Laurie Garvey não tinha sido educada para acreditar no Arrebatamento. 
Ela não tinha sido educada para acreditar em nada, na verdade, a não ser na tolice da crença em si."


Autor: Tom Perrotta
Editora: Intrínseca

   No dia 14 de outubro muitas pessoas desapareceram. Simplesmente evaporaram, em um segundo estavam lá, no outro não estavam. Seria o Arrebatamento? Como as pessoas reagiriam a isso, e o mais importante, como seguiriam com suas vidas?

   Em Mapleton, a Partida Repentina, como o evento foi chamado, despedaça famílias e interfere indiretamente em outras. Os relacionamentos familiares e sociais têm sua dinâmica modificada, e assim como no resto do país, muitas coisas se modificaram. Grupos foram formados, entre eles os Remanescentes Culpados, os Pés Descalços e o liderado por Santo Wayne, e algumas pessoas não conseguem retomar de onde estavam.

   O novo prefeito de Mapleton, Kevin Garvey, tenta trazer uniformidade e o máximo de normalidade a essa comunidade, mas sua própria família é afetada. Ninguém desapareceu, mas sua esposa Laurie se junta aos Remanescentes Culpados, seu filho Tom segue o Santo Wayne e sua filha Jill permanece ao seu lado, mas tem uma drástica mudança de personalidade e comportamento. 

   Comprei o livro na Bienal, por 5 reais, e não me arrependi. Uma coisa que me deixou muito satisfeita foi o livro não ter sido levado pelo lado religioso. Não há uma religião central nem fanatismo, mas é centrado na relação pessoal e as consequências da Partida na sociedade. Acompanhamos de perto o sofrimento das pessoas, o não ter certeza do que houve com seus entes queridos, vizinhos, amigos, e o modo como alguns conseguem lidar com isso e outros simplesmente se perdem.

   A história explora de uma ótima maneira o jeito como as pessoas às vezes se voltam ao fanatismo e à crença cega em alguma coisa para superar algo traumático. E percebemos a perda da capacidade de raciocínio e clareza frente à dor. Não me refiro necessariamente à se juntar à um grupo, mas também no comportamento no dia-a-dia. 

   Os personagens são cativantes, e me vi torcendo para que um mudasse de atitude ou outro conseguisse um final feliz. Foi sofrido ver como estavam desperdiçando seu tempo, ou se enganando em algumas situações. O autor conseguiu lidar e mostrar perfeitamente a complexidade de sentimentos de um ser humano, e o modo diferente de reagir a uma mesma situação.

   Não fiquei completamente satisfeita com o final do livro, mas o entendo. Por mais que queria que fosse outro, não consigo imaginar outro que coubesse tão bem no andamento do livro. O autor está adaptando o livro para uma série na HBO e estou ansiosa para assistir. Espero que não deturpem a história ou o foco do enredo. E vocês, já leram? Deixem seus comentários!

Atualizando à pedido:

   O livro tem 317 páginas, que são amareladas. Uma coisa que me incomodou e eu esqueci de falar é que a fonte é pequena, então atrapalha um pouco, principalmente à noite. 

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Boa leitura!
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