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Razão e Sensibilidade e Monstros Marinhos

"A família Dashwood estava estabelecida em Sussex desde antes da Alteração, 
quando as águas do mundo se tornaram frias e abomináveis para os filhos do homem, 
e as trevas se moveram sobre a superfície dos oceanos."


Autor: Ben H. Winters
Editora: Intrínseca

    Razão e Sensibilidade e Monstros Marinhos segue praticamente a história principal do clássico em que se baseou, com algumas modificações. Elinor, Margareth e Marianne, junto com sua mãe, ficam desalojadas quando seu pai morre, e vão parar em um chalé de um parente distante. Mas, diferente do original, seu pai não morreu de uma doença, mas sim de um ataque de um tubarão-martelo.

   Nesse mundo, as pessoas precisam se preocupar com qualquer ser marinho, desde os pequenos peixes aos poderosos mamíferos, pois desde a Alteração, um acontecimento sem explicação, todos os animais marinhos se voltaram violentamente contra a população humana. Depois da morte do Sr. Dashwood, as três irmãs e sua mãe perdem o lar para John Dashwood, filho do primeiro casamento de seu pai, e acabam se mudando para um chalé em uma ilha longe de sua casa e muito misteriosa, perto de seu parente e locatário, John Middleton.

    Em meio aos problemas sociais, as irmãs enfrentam problemas no âmbito amoroso e relacionados à Alteração. Mas, ao contrário do que seria esperado, dado o comportamento das personagens na história original, e pelas suas próprias características descritas no livro, não pude reconhecer essas mesmas qualidades e atitudes.

    Elinor, dada como a irmã mais sensata e razoável, muitas vezes deixa passar importantes detalhes e os ignora totalmente. Além disso, vários defeitos de alguns personagens, que são importantes para a construção e entendimento da história, são suavizados ou aumentados desnecessariamente. Mas o que mais me irritou nesse livro foi o desfecho. O autor cria todo um suspense (e o ignora em grande parte do livro) que termina de um modo não coerente. Enquanto em um momento é um grande problema, em outro some.

    Fiquei muito decepcionada com essa adaptação, principalmente porque gostei muito de Orgulho e Preconceito e Zumbis, e esperava algo à altura. Achei que vários trechos pareciam simplesmente copiados do livro original sem necessariamente se encaixarem no enredo criado. A história de Monstros Marinhos se tornaria muito interessante se fosse melhor trabalhada.

    Não recomendo a leitura para aqueles que não leram o original antes, que considero muito melhor. Além de ter vários spoilers, foi uma leitura maçante e arrastada, demorei um mês e meio para conseguir terminar. Apesar de tudo, gostei do trabalho gráfico, principalmente pelas ilustrações, que achei muito bem feitas. O papel amarelado também facilita a leitura. Alguns pontos negativos foram: a fonte, que em certas partes parece menor, e as frases são um pouco juntas demais; e os capítulos também não são muito bem divididos, terminando e começando na mesma página.

    E vocês, já leram? Comentem nos comentários o que acham, por favor ;)

Boa leitura!

A Estrela que Nunca Vai se Apagar

"(...) Esther não era incomum porque estava doente, mas porque era a Esther; e ela não existiu para que o restante de nós pudesse aprender Lições Importantes de Vida. O significado da vida dela - como o de qualquer outra - é uma questão enlouquecedoramente ambígua e envolta em incerteza."


Autores: Esther Earl com Lori e Wayne Earl
Editora: Instrínseca

   Esther Earl era uma menina que foi diagnosticada com câncer de tireóide aos 12 anos e morreu aos 16. Mas esse é um resumo muito simplório e que, ao meu ver, não descreve em nada a pessoa que me foi apresentada neste livro. Desde as primeiras páginas tudo que pude sentir foi muito carinho, muita alegria e, principalmente, muita vida.

    O livro reúne depoimentos de pessoas amigas, familiares e profissionais que trabalharam com Esther durante sua luta. Em todos eles conseguimos sentir uma opinião unânime: Esther era a pessoa com mais vida, força de vontade, coragem e amor que eles conheceram. Ela tinha o dom de fazer uma pessoa se sentir a mais importante para ela, de realmente sentar, ouvir e tentar ajudar quem viesse a ela.

    Não vou com esse livro dizer que conheço ou sinto falta dela, porque não é verdade. Infelizmente não conheci e nem sabia quem Esther era até o lançamento deste livro, mas posso dizer que gostaria de tê-la conhecido. Assisti alguns videos de seu canal (que ainda está no ar até hoje) e os achei super divertidos e cheio de animação. Não tive a sensação de que ela tinha um problema ou sentia tanta falta de ar e desconforto com diz em alguns momentos no livro. 

    Uma coisa que eu não esperava nesse livro é que Esther não é descrita como uma pessoas sem erros, nem pouparam o leitor de seus momentos sombrios. Em vários momentos podemos ver uma Esther dividida: de um lado uma pessoa de coração aberto à fé e esperançosa sobre o que Deus reservava à ela, e de outro uma menina assustada, que não queria morrer e não entendia por que estava passando por aquilo tudo. 

    Eu acho que a grande lição que esse livro deixa não é a superação nem a luta contra o câncer, mas o modo de ser de uma pessoa que seria maravilhosa com câncer ou sem ele. Esther era uma pessoa preocupada em fazer a diferença no mundo e batalhou por isso mesmo tendo vários problemas pessoais e limitações físicas. Se preocupava e amparava vários amigos online, que sequer sabiam que estava doente.

    Assistindo seus vídeos e lendo alguns rascunhos de histórias que ela começou e foram publicados no livro eu senti que ela seria conhecida e famosa no futuro. Ela tinha muito potencial. Mas esse potencial não foi desperdiçado, pois ela mudou e fez a diferença na vida de inúmeras pessoas, algumas que nem a conheciam, e acredito que continue fazendo essa mudança até hoje e ainda fará por muito tempo.

    Seus pais criaram a fundação This Star Won't Go Out, onde se encontram várias informações sobre Esther e onde você pode fazer doações, que servem para ajudar famílias carentes a arcarem com o tratamento e despesas financeiras referentes ao tratamento de câncer infantil, como viagens, pagamentos de hipotecas, etc.

    De todas as biografias que li esse mês, essa foi a que me deu mais esperança e confiança na humanidade, e agradeço à Esther por ter sido assim e aos seus pais por terem tido a coragem de enfrentar o luto e criar essa excelente publicação para que possamos amar e ter esperança no próximo. Espero que todos possam ter essa sensação maravilhosa que tive lendo esse livro.

Ps: Esse livro faz parte do Desafio Literário Skoob 2014,
referente ao mês de Maio

Fuga do Campo 14


Autor: Blaine Harden
Editora: Instrínseca

   Aos 4 anos, Shin Dong-hyuk lembra de ter visto uma execução pública. Essa foi só uma prévia do que viria a ser uma coisa normal. Filho de prisioneiros do campo 14, nascido e criado lá, Shin não tem acesso à educação, saúde ou condições adequadas de moradia. O que ele tem de sobra é fome, frio e abusos físicos e psicológicos. Criado para não confiar em ninguém, delatar qualquer um e pagar pelo pecado de seus ancestrais, Shin leva uma vida que, para nós, é inimaginável.

   Sua rotina quando criança era: passar o fome o dia todo, comendo porções irrisórias de repolho cozinho e milho, e quando chegou a uma certa idade, ir para a escola. Mas escola aqui quer dizer um centro onde as crianças são educadas com as 10 regras do campo, e onde devem aprender a sempre obedecer aos professores e guardas, podendo morrer se não o fizerem.

    As crianças já ajudam em algumas coisas no trabalho do campo, mas no começo da adolescência é que o mais pesado começa, levando até a privação de comida e surras se metas não forem atingidas. Doze a quinze horas de trabalho forçado em minas de carvão, fábricas e fazendas é o que conhecem como vida. Mas em algum momento isso muda, e tudo o que Shin pensa que sabe, se transforma.

    Conseguindo o que era dado como impossível, Shin foge do campo onde nenhum outro homem (que se tenha conhecimento) fugiu, mas até hoje carrega as marcas físicas e mentais dos horrores que sofreu lá dentro. O livro carrega essas marcas e nos faz revelações tenebrosas de seu passado. Muitos trechos me fizeram refletir até que ponto a humanidade de uma pessoa pode existir em certas circunstâncias, e o quão baixo (para os nossos parâmetros) um ser humano pode chegar para sobreviver.

    O livro é escrito por Blaine Harden, um jornalista que conduziu várias entrevistas com Shin e outras testemunhas do campos, ex-guardas, ex-moradores da Coréia, presos de outros campos com uma segurança menor, que foram soltos e conseguiram fugir da Coréia do Norte, apurando vários detalhes que ele deu sobre sua vida. Alguns desses depoimentos externos são citados no livro, assim como livros que o autor consultou e estão relacionados nas notas no final.

    Fico muito triste por saber que existem esses campos na atualidade, e que essas pessoas são forçadas a passar por isso e considerar isso uma vida normal. O pior é que, segundo o livro, não é só o povo dos campos que sofre, mas a população da Coréia do Norte inteira passa fome e sofre para sobreviver. Mesmo Shin, que conseguiu se livrar disso tudo, em alguns aspectos não consegue levar uma vida normal. Me pergunto se as mudanças que sofreu poderiam algum dia ser revertidas e preciso ter a esperança que sim.

   Para maiores informações, visitem essa página da Intrínseca, que contém detalhes sobre um documentário filmado sobre a vida de Shin (que não assisti ainda), as dez leis do campo e mais algumas coisas relacionadas à sua vida. 

Ps: Esse livro faz parte do Desafio Literário Skoob 2014,

referente ao mês de Maio

Vida após a morte

"Quero fazer do mundo um lugar mais mágico. Dar à magia uma forma que as pessoas apreciem e que possa mudar suas vidas. Criar uma arte que faça com que as pessoas queiram sempre rejeitar o mundo prosaico e medíocre que as cerca. Minhas ferramentas podem ser o tarô, o trabalho com grupos de energização ou a fotografia, mas meu objetivo é compartilhar com as pessoas toda a maravilha e a beleza que descobri enquanto fiquei trancafiado em uma cela por quase vinte anos".


Autor: Damien Echols
Editora: Intrínseca

   Aos 18 anos, Damien e dois amigos foram acusados pelo assassinato de três meninos de 8 anos em West Memphis, no Arkansas. No entanto, enquanto seus amigos tiveram como pena a prisão perpétua, Damien foi para o Corredor da Morte, esperar por sua execução. O que diferencia seu caso de outros milhares de presos, é que o julgamento foi feito com vários falsos testemunhos, faltas de provas e pressão popular, e segundo tudo consta, passou 18 anos injustamente encarcerado.

    Através do documentário Paradise Lost: the Child Murders at Robin Hood Hills, de 1996, seu caso veio à público, e ganhou apoio de várias celebridades. Em 2011, Damien e seus amigos finalmente foram libertados. O autor então conta nesse livro como foi sua vida pré-prisão e como passou esses 18 anos lutando por sua libertação. 

"Ouvir as cigarras é como ter o coração esfaqueado por lâminas de gelo. Elas me lembram que a vida continuou para o mundo enquanto fiquei isolado em uma caixa-forte de concreto. Em muitas noites, fui acordado pela sensação de ratos caminhando sobre meu corpo, mas nunca ouvi o canto de verão das cigarras. A última vez que o ouvi, ainda não tinha vinte anos."

   Comprei essa biografia na Bienal do Rio, ano passado, e não esperava que fosse tão pesada. Esperava que fosse triste, pois uma enorme injustiça foi feita e o autor passou anos sem saber se morreria por algo que não fez ou se algum dia respiraria ar puro novamente. Entretanto, a vida de Damien Echols foi muito pesada desde o começo.

    Filho de uma família pobre, Damien passou anos na miséria, algumas vezes literalmente passando fome, além de ter sofrido maus tratos e ter sido vítima de vários preconceitos, entre eles na adolescência, quando se achou na música metal e no visual que hoje chamamos de gótico. Morar numa cidade pequena e limitada com um visual diferente do normal não deve ter sido uma experiência feliz.

    O livro contém vários trechos que ele conseguiu escrever em seus anos preso, e oscilam entre depressão e uma esperança enorme. Dentro da prisão, ele estudou e praticou religiões diferentes, e teve provas de amor, compaixão e crueldade humana. Tudo isso contribuiu para que ele mantivesse sua sanidade e esperasse que as coisas pudessem melhorar. Também traz algumas fotos desse período e pós libertação.

"Quase todas as vezes que dou uma entrevista, me perguntam do que mais sinto falta. Quando fazem isso, cem coisas passam por minha mente e as lembranças em causam aquela sensação de queda livre na boca do estômago. (...)
No fim, não é das frutas que mais sinto falta, mas, se você juntasse todas as privações, o resultado final seria algo assim: sinto falta de ser tratado como um ser humano."

    A descrição da justiça local e das prisões em que esteve preso são horripilantes e amedrontadoras. Como aconteceu com ele, poderia ter acontecido com qualquer um, e provavelmente acontece muito por ai. Não foi o primeiro caso de prisão injusta que já ouvi e infelizmente não deve ser o último. A história dele também é contada através de três documentários (Paradise Lost 1, 2 e 3) e em seu site, damienechols.com.

    Damien teve sorte, pois tiveram o interesse de filmar esses documentários, e foram eles que tornaram seu caso conhecido e facilitaram sua libertação. Mesmo assim, foi um processo demorado e doloroso, cheio de falhas da defesa e apatia dos advogados, que sem a pressão e ajuda de celebridades e amigos do autor, não seria possível. Provavelmente sem eles o autor estaria morto hoje em dia e sua história enterrada.

    Foi um livro que mexeu muito comigo, e até agora não sei se o que escrevo aqui consegue refletir o quanto. É triste saber que uma pessoa inocente possa passar por tudo que ele passou, ao mesmo tempo que é um incentivo perceber como um ser humano pode sair disso são e pronto para viver os anos que ainda tem pela frente. É uma biografia forte e deixo aqui as palavras do próprio autor sobre a sua leitura:

"Fico aborrecido de imaginar as pessoas lendo minhas palavras por curiosidade mórbida. Quero que leiam o que escrevo porque isto tem um significado para elas - seja por fazê-las rir ou por lembrá-las de coisas esquecidas que em algum momento tiveram importância para elas, ou simplesmente por comovê-las de algum modo. (...)
Se alguém começar a ler porque deseja ver a vida a partir de uma perspectiva diferente, ficarei satisfeito. Se lerem para saber como é a vida pelo meu ponto de vista, fico feliz. São os sanguessugas que me deixam doente e incomodado - os que não dão a mínima para mim e só se interessam por coisas como prisioneiros no Corredor da Morte."

Ps: Esse livro faz parte do Desafio Literário Skoob 2014,

referente ao mês de Maio

O Segredo do Meu Marido


Autora: Liane Moriarty
Editora: Intrínseca

   Cecilia Fitzpatrick vive o sonho americano: três filhas pequenas inteligentes e bonitas, um marido que é presente e ótimo pai e uma fonte de renda própria e muito lucrativa. Vivem em uma casa confortável e ela é muito popular na pequena cidade. 

   Um dia, porém, ela descobre por acaso uma antiga carta que pode mudar tudo. Com o "Para ser aberto apenas na ocasião da minha morte" escrito no envelope, Cecilia se debate em abrir ou não a carta, e quando finalmente o faz, descobre um segredo que não só perturba sua vida perfeita como afeta outras pessoas.

    Dividida entre revelar ou não o segredo do marido, Cecilia se vê em debates morais e reavalia tudo o que antes considerava perfeito. O que seria a coisa certa a fazer nesse caso? Sofrer com um segredo que não é dela ou magoar pessoas que ama?

   Fiquei muito curiosa com a sinopse, principalmente por ser um segredo que envolve outras pessoas. Tramas complexas são sempre interessantes de se ler. O livro é narrado por mais duas mulheres: Rachel, que sofreu uma grande perda e Tess, que viu sua vida tomar um rumo inesperado. As três intercalam os capítulos do livro, dando uma nova dimensão à narrativa de Cecília. 

   Cecília é uma típica dona de casa americana: se desdobra em várias tarefas. Cuida de todos os detalhes da vida das filhas, se envolve na escola em que estudam e ainda tem tempo para reuniões de venda na casa de clientes. E isso tudo sem se perder em nenhum momento. Quando descobre a carta e posteriormente seu segredo, ela perde o rumo. Preocupada em fazer a coisa certa, ao mesmo tempo ela pesa o que as consequências disso poderiam fazer com o que ela conhece.

    Gostei dessa divisão na personagem e a achei muito realista. Na vida muitas vezes queremos fazer a coisa certa, mas por n motivos acabamos ou dando desculpas ou nos convencendo de que pode não ser o melhor a fazer. E, pior que isso, ficar refém do segredo de outra pessoa é um peso terrível. 

   A leitura flui muito bem, e de acordo com o andamento da história, vemos uma trama muito maior do que o relevado aparecer e que todos temos segredos. O livro gira muito em torno de hipóteses também. Se tal personagem não tivesse feito isso naquele segundo, isto teria acontecido. Se ele tivesse feito isso, isso não teria acontecido. Do mesmo modo que isso me deixou um pouco nervosa, pois foi uma coisa pequena que gerou um grande problema, me deixou fascinada. O desfecho do livro toma novas dimensões com isso.

   E, falando do desfecho, foi maravilhoso. Tudo se encaixa e, apesar de poder ter sido de maneira diferente, achei coerente e realista também. Muitas vezes somos movidos por muitos motivos diferentes para agir do jeito que agimos. Recomendo àqueles que gostam de um bom suspense ou de um drama familiar, os dois se encaixam. Foi um livro que me marcou esse ano e que talvez leia novamente.

   Minha única reclamação com essa edição foi a fonte. Por que tão pequena? As margens são bem largas, e poderia ter se equilibrado melhor isso. Tirando isso, a divisão dos capítulos é bem definida e gostei da formatação do livro, que precisa muitas vezes diferenciar um pensamento de uma fala ou narrativa.

   E vocês, já leram? Estão interessados? Deixem nos comentários, por favor ;)

Boa leitura!


Murmúrio

ATENÇÃO: Esse é o quarto livro da série Riley Bloom, o primeiro é Radiante. Esse post contém spoilers dos livros anteriores.


Autora: Alyson Noël
Editora: Intrínseca

   Depois de um fracasso no último livro, é hora da nova missão (oficial) de Riley. Apesar de pedir por um desafio à sua altura, ela teme que esse seja demais. Designada para ajudar um antigo e famoso gladiador, chamado de “Pilar da Destruição”, Riley mergulha no mundo antigo, um mundo diferente e muito violento.

   Focada na sua missão, Riley acaba passando por uma transformação: mais alta, mais bonita e o que ela mais desejava, mais velha. E nesse novo mundo, Riley acaba descobrindo o amor. Terá ela força para cumprir a missão e voltar para Aqui?

   Esse foi o livro que eu mais gostei. A personagem principal está mais amadurecida, mais consciente de si mesma e mais esforçada para fazer parte de Aqui e ser uma ótima Apanhadora de Almas. Entretanto, essa missão é muito difícil e existe um grande risco de que ela se perca para nunca mais voltar.

   Aqui vemos mais um tipo diferente de alma e de situação, e lidamos mais uma vez com uma grande culpa e em parte, cegueira. O mundo em que Riley se encontra é brutal, perigoso, e de algumas formas, tentador. E vimos nesse livro seu maior crescimento. Gostei muito do final da série, mas queria mais alguns livros e esperava um desfecho diferente.

   E vocês, já leram? Gostaram do desfecho? Deixem nos comentários, por favor :)

Boa leitura!

Terra dos Sonhos

ATENÇÃO: Esse é o terceiro livro da série Riley Bloom, o primeiro é Radiante. Esse post contém spoilers dos livros anteriores.


Autora: Alyson Noël
Editora: Intrínseca

   Rilley consegue mais uma vez cumprir uma missão, que dessa vez foi inesperada. Mas por um lado, ela esteve bem perto de falhar. Acaba entrando em um momento de descanso, enquanto espera que sua próxima missão lhe seja designada. E é aí que percebe que sua pós vida não é muito boa. Apesar de ser uma ótima Apanhadora, Riley não construiu nada em Aqui. Não tem amigos e sua família tem sua própria vida. E ela ainda sofre com o desejo de crescer.

   Em uma visita ao Observatório, um lugar onde se pode visualizar entes queridos que estão vivos, ela descobre que existe um lugar chamando Terra dos Sonhos, onde ela pode visitar o sonho de alguém e realmente conversar com essa pessoa. Entretanto, não é tão fácil quanto parece, e durante sua visita, Riley descobre que há coisas sobre Aqui que ela desconhece.

   Riley consegue dar um passo para trás nesse livro. Mas novamente, achei compatível. Seria estranho uma personagem imatura e impulsiva conseguir se estabilizar tão rápido. Ela quer mais do que tudo falar com sua irmã, Ever, e conseguir alguns conselhos sobre como crescer e como se comportar diante de algumas situações.

   Nesse livro temos uma visão mais ampla de Aqui e percebemos que apesar de ter atravessado a ponte, as pessoas ainda tem direito ao livre arbítrio. Riley acaba descobrindo mais coisas sobre si mesma e sobre como seu comportamento acaba às vezes atrapalhando o que ela mais quer, ao invés de contribuir. 

   Esse livro foi um ponto maior de reflexão do que os outros dois, e com o andamento um pouco mais lento também, mas foi uma leitura muito boa. Senti que Riley melhorou mais um pouco no final.

Boa leitura!

Luminoso

ATENÇÃO: Esse é o segundo livro da série Riley Bloom, o primeiro é Radiante. Esse post contém spoilers do primeiro volume.


 Autora: Alyson Noël
Editora: Intrínseca

   Riley consegue cumprir com sucesso sua primeira missão, e sai de férias com Buttercup e Bodhi. No meio de uma caminhada, ela se encontra com um cão infernal, e contrariando as ordens de seu guia, o segue. É ai que conhece Rebecca, uma doce menina um pouco mais velha que ela.  Entretanto, Rebecca não é o que parece e as coisas se complicam. Poderá Riley ajudar Rebecca e resgatar Bodhi e Buttercup?

   Emendei esse livro na leitura do primeiro. Apesar de Riley ainda reclamar um pouco, consegui ver uma pequena melhora na personagem. Mais ambientada à sua tarefa, Riley parece mais a vontade em seu papel. Parabenizada e recompensada pela missão anterior, ela sai com Buttercup e Bodhi em um merecido descanso. Mas a menina não consegue ficar quieta e acaba caindo em uma situação muito perigosa.

    Apesar de Rebecca parecer uma menina normal à primeira vista, ela é um espírito que está vagando há muito tempo, perdida em um sentimento de ódio graças às circunstâncias que levaram à sua morte. E junto com ela, estão vários espíritos que foram aprisionados em um ciclo de culpa e sofrimento. Bodhi e Buttercup acabam sendo presos também, e sobra para Riley a missão de tentar consertar tudo.

   Gostei bastante desse enredo. Nele conhecemos um pouco mais da história de Bodhi e temos uma visão maior do mundo de Aqui. Riley é muito imprudente e acaba se metendo e envolvendo os outros em uma situação maior do que pensava, e isso não é deixado em branco na série. Mas por outro lado, vemos uma recompensa muito grande.

   O livro serve para refletir também, sobre o papel da culpa e do sofrimento em nossas vidas. Essa série, para mim, é muito mais sobre algumas coisas que realmente podemos mudar agora do que a história de uma menina que morreu e descobriu que ainda poderia viver. Continuo recomendando!

Boa leitura!

Invisíveis



Autora: Stef Penney
Editora: Intrínseca

  Rose Janko é uma jovem cigana de 19 anos que se casou com Ivo Janko, um atraente e carismático cigano, pertencente a um clã fechado. Isso aconteceu há sete anos, e algum tempo depois do casamento Rose desapareceu. Segundo rumores, seu desaparecimento se deu graças ao nascimento de um filho com um problema genético que persegue a família. Entretanto seu pai, Leon, não está convencido disso.

   Leon contrata então Ray Lovell, um detetive particular que é descendente de ciganos para cuidar do caso. Ray enfrenta o problema do desaparecimento ter se dado há 7 anos, pode ter se passado tempo demais. Além disso, a família Janko, única testemunha do que aconteceu, não é muito receptiva. O que os motiva a não querer ajudar?

   Gosto muito de romances policiais ou de detetives particulares, tenho uma quedinha por um bom suspense, com uma boa reviravolta. E esse isso conseguiu cumprir essas expectativas. Um detetive com um passado que o atormenta, um bom suspense, testemunhas misteriosas, tudo está lá. E a escrita da autora é de tirar o fôlego. Não consegui largar o livro.

   Rose é uma menina tímida e introspectiva, que se casa com um homem de uma família fechada, misteriosa. Sua família perde contato com ela logo depois do casamento, e só tem notícias quando se ouve que ela fugiu com um homem gorijo, um não cigano. O livro traz algumas coisas da cultura cigana que eu desconhecia, então não sei o quanto é fiel nesse sentido, mas que trouxe um novo nível de interesse para mim. O suspense é intensificado pela falta de vizinhos, de interação com a sociedade. Os ciganos, por serem uma comunidade isolada e com sua própria cultura, não mantinham um contato aonde moravam, e se mudavam constantemente.

   O núcleo da família Janko, Tene e Ivo, é mais fechado ainda dentro de si. E ficamos na dúvida sobre o que realmente aconteceu. Tene é descrito como o cigano que se popularizou: um homem forte, moreno, carismático. Um contador de histórias ciganas. Ivo já é um homem taciturno, reservado, mas descrito como muito atraente, chamando a atenção feminina por onde parassem.

   Junto a eles temos mais alguns personagens da família: Kath (irmã de Tene), Jimmy (marido dela), Sandra (filha deles), JJ (filho de Sandra) e Christo (filho de Rose e Ivo). Christo é um menino com uma deficiência que afeta sua família na parte dos homens e da qual muitos já morreram. JJ é um adolescente de 14 anos, saudável, que narra a história junto com Ray.

   O suspense dá algumas reviravoltas e temos algumas cenas futuras misturadas com coisas que se passam antes, mas nada que estrague o que vai acontecer ou que deixe o leitor confuso. Estou ansiosa para ler o outro livro da autora, The Tenderness of Wolves, e acompanhar seu trabalho futuro.

Boa leitura!

Radiante


 Autora: Alyson Noël
Editora: Intrínseca

   Riley Bloom tem 12 anos e está passeando com seus pais, seu cachorro Buttercup, e sua irmã Ever. Na volta para a casa, algo acontece. Um acidente faz com que todos, menos Ever, morram. E então Riley descobre uma nova coisa. A vida não acabou. Em Aqui, um lugar onde descobre que a vida continua, e o tempo é sempre o Agora, Riley descobre que a eternidade não é calma, todos tem uma tarefa a realizar. E a tarefa dela, é apanhar almas.

   Como Apanhadora de Almas, Riley acompanhada de Buttercup e Bodhi, seu guia, tem que encontrar almas perdidas na Terra e ajuda-las a atravessar à ponte para Aqui. E em sua primeira missão eles conhecem o Menino Radiante, que assombra um castelo na Inglaterra há muitos anos e é uma alma que não quer sair de onde está.

   Riley é chata. Comecem o livro com isso na cabeça. É uma menina de 12 anos que morreu em um acidente inesperado, e acaba presa em um corpo que ela quer mais que tudo, deixar no passado. Além de não conseguir crescer, que era seu maior sonho, Riley tem que lidar com a falta da irmã e dos amigos, de tudo a que ela sempre fez parte. Em parte, eu entendo sua chatice. Apesar disso, Riley também é cabeça-dura, determinada a fazer as coisas do seu jeito  e em algumas partes, engraçada.

   Não achei que essa chatice dominasse o livro, e curti a leitura. A personagem não entende o mundo em que vive, mas tenta de todas as maneiras fazer as coisas do jeito que acha que é melhor, o que às vezes não sai do jeito que esperava. Achei a personagem bem construída e suas atitudes são coerentes com a idade e sua caracterização.

   Bodhi, seu mentor, é um menino um pouco mais velho, e é muito misterioso. Vestido de roupas esquisitas e aparentemente sem senso de humor, ele traz um ar mais sério para a história, e consegue quebrar um pouco as reclamações da principal. É ele que a ensina algumas coisas sobre Aqui e sobre sua tarefa.

   De uma forma geral eu curti esse livro. É bem pequeno, tem 174 páginas, mas conseguiu me prender. A diagramação e o acabamento são muito bonitos também, o que tornou a leitura agradável. Recomendo como aquela leitura para passar o tempo ou quebrar um livro muito pesado. 

Boa leitura!

Um Dia


Autor: David Nicholls
Editora: Intrínseca

   Dexter e Emma estudaram na mesma faculdade mas só foram se encontrar na noite de formatura, em 1988. Apesar de sentir uma conexão, eles sabiam que seguiriam caminhos diferentes. Dexter é filho de uma família rica, enquanto Emma não tem muito dinheiro e se mantém financeiramente sozinha.

   Durante 20 anos os dois vivem vidas separadas, mas se encontram ocasionalmente. O livro narra a vida dos dois no dia 15 de julho, o mesmo dia em que se encontram pela primeira vez. Os dois não conseguem esquecer o sentimento que existe entre eles, mas várias situações acontecem durante esse período. Será que algum dia eles assumiram o que sentem?

   Um Dia me deixou extremamente tocada. Antes de ler eu vi algumas pessoas, entre elas algumas que geralmente o gosto bate com o meu, falando que o livro não era muito bom, então não entrei com grandes expectativas e acho que isso fez toda a diferença. Um Dia não é um livro original, na minha opinião, mas se conecta muito com a realidade. A história de Emma e Dexter poderia realmente acontecer com duas pessoas.

    Emma é uma personagem que cresce guiada por suas convicções, mas acaba se decepcionando e não conseguindo cumprir suas metas. Ela sofre um baque com o andamento de sua vida e acaba fazendo coisas que não imaginava fazer quando era nova. Dexter, por outro lado, não tem um plano definido e tem boas surpresas, mas acaba chegando à um ponto que não esperava também.

    O livro conta a história de um romance diferente, um romance que acontece em alguns momentos, mas não deixa de estar ao fundo do enredo. Gostei muito da escrita do autor e não consegui largar até terminar. Comprei o volume com capa do filme, e confesso que gosto mais dessa do que da original. O tamanho da letra é muito agradável e o acabamento está muito bem feito. O papel é amarelado e muito agradável ao tato. Achei a contracapa extremamente charmosa também.

Capa original

   Assisti ao filme hoje, descobri que ele está no acervo do Netflix. Adorei a atuação dos personagens principais e gostei de ver que o filme conseguiu manter a essência da história, e incorporou alguns elementos, como as cartas enviadas, de uma ótima maneira. Ocultaram algumas partes da história também (e eu não senti nenhuma falta delas) mas mantiveram o enredo praticamente intacto. Fiquei emocionada e até derramei algumas lágrimas. 

   Recomendo que leiam o livro antes de ver o filme, para não estragar as surpresas que a história traz. Não costumo trazer a pontuação para cá (até porque sou péssima dando estrelas para os livros) mas dei cinco estrelas para esse livro.

PS: Esse livro foi a segunda opção de Janeiro no


Boa leitura!

Ratos

"Docilmente, aceitamos, submetemo-nos, calamo-nos, não dissemos nada, não fizemos nada, 
porque a mansa submissão é tudo o que os ratos conhecem".


Autor: Gordon Reece
Editora: Intrínseca

   Shelley e sua mãe são como ratos. Elas já sofreram muito, mas aceitam as coisas e se escondem, não reagem à tudo que é jogado sobre elas. Depois de sofrer com o doloroso divórcio de seus pais, Shelley sofre um atentado extremamente violento na escola, e as duas se refugiam em um chalé no campo, distante de tudo e todos. E começa um período mais feliz, com conversas tranquilas, e um sentimento de segurança.

   Entretanto, no aniversário de 16 anos de Shelley, algo acontece, algo terrível. E isso muda tudo. Um sentimento diferente surge em Shelley, e acaba por surpreende-las. Será que tudo que acreditaram ser não é verdade? Será que ratos só se escondem, ou podem ter outras facetas?

   Comprei esse livro porque vi um outro blog falando sobre ele (não lembro qual, infelizmente) e acabei vendo alguns dias depois que estava em promoção na Amazon. Comecei a ler um pouco depois de comprado, e não consegui soltar. Fiquei super ansiosa para saber o que o autor destinou às duas, se finalmente os sofrimentos terminariam. E o que aconteceu me surpreendeu.

   Shelley é uma menina tímida, que se vê presa em uma situação terrível: bullying. Por se ver como um rato, e ter medo de tudo, não conta para ninguém o que acontece, e acaba chegando em uma situação terrível, que faz com que algumas coisas em sua vida mudem, incluindo a mudança para o chalé. Sua mãe passou por um divórcio terrível e agora suporta um emprego que praticamente a escraviza para sustentar as duas. 

   Ratos foi o primeiro livro do autor, e fiquei bastante impressionada. A caracterização dos personagens é excelente, e a narrativa é maravilhosa. Conseguiu me tirar da minha zona de conforto e me fez pensar muito. Quantas pessoas consideradas "ratos" conhecemos? Vivemos em uma realidade em que é difícil ver alguém lutando por seus direitos, e a reação mais vista é a de "deixar para lá". Ao mesmo tempo que é triste ver esse tipo de coisa, me pego pensando em até que ponto podemos ir para defender nossos interesses, e até que ponto podemos aguentar o que acontece passivamente. 

    O livro batalha bastante nesse ponto, e apesar de não concordar muito com a atitude das personagens, consigo entendê-las. Todos temos um limite, e nem sempre testá-lo é uma boa coisa. O modo como a história muda foi muito bem estruturado, e as personagens se mantiveram coerentes. Adorei o livro, e o recomendo, mas principalmente para uma leitura crítica. Não é o tipo de livro para se ler e pular para o próximo, uma reflexão seria essencial. Vou acompanhar o autor e esperar que lance outras obras tão boas quanto essa.

    E você, já leu? Não esqueça de deixar sua opinião :)

Boa leitura!

Delírio

"É o mais mortal entre todos os males: 
você pode morrer de amor ou da falta dele."

Autora: Lauren Oliver
Editora: Intrínseca

   Há 60 anos classificaram o amor como uma doença: amor deliria nervosa. E como doença, desenvolveram uma cura. Aos 18 anos, todos passam por ela, calmamente ou não. Lena espera ansiosa por esse dia, o dia em que terá certeza de que não vai poder mais ficar doente, que não vai sentir a angústia e a dor que sente. Que tudo vai desaparecer. Entretanto, alguns acontecimentos começam a perturbá-la, e memórias antigas começam a retornar. Será que ser curada seria a coisa certa?

   Lena vive em um mundo em que o amor é uma doença, um problema. E existe uma cura para isso, que deixa a pessoa imune ao amor, mas também aos outros sentimentos. Não existe irritação, raiva, nada, só uma indiferença emocional. Antes da cura, existe uma entrevista, que rankeia as pessoas num sistema de pares, e decide com quem o cidadão irá se casar. E ela tem uma passado misterioso, que luta para esquecer.

   Tudo muda quando conhece Alex, um rapaz misterioso que estava em um lugar onde não deveria estar. Desse dia em diante, acabam se encontrando mais e mais vezes, em lugares diferentes. Sua amiga Hana é uma forte presença em sua vida, e traz desafios inesperados, a levando a pensar se realmente conhece a melhor amiga. 

   Alex traz uma nova direção para sua vida, e a ajuda a descobrir segredos que fazem com que reavalie tudo no que acredita. Mas será que Lena conseguirá lutar contra tudo o que aprendeu e finalmente se render ao amor?

   Gostei dos personagens, e da forma como a história foi construída. A família de Lena traz uma aproximação de como as pessoas curadas se comportam, e ela mesma revela alguns problemas causados pela cura. Hana é adorável, acho que toda menina que ler terá vontade de tê-la como melhor amiga. E Alex é um fofo também, achei suas atitudes bem coerentes. 

   Me peguei ansiosa para saber o final, e da metade do livro para o final entrou bastante ação, me deixando aflita. Por outro lado, não sei se pego a continuação logo, ou espero sair o final da trilogia em português antes. Dependendo do segundo livro, vou ficar aflita para ler o final. A trama é muito interessante, e traz questionamentos importantes, então super recomendo!

Ps: A capa não é igual a imagem! É linda, meio metalizada, com uma cor meio cinza-esverdeada (não sei dizer qual é). Só que quando fui tirar uma foto, ficou ruim, então usei essa que é a usada no site da editora.

Boa leitura!

Os Deixados Para Trás

"Laurie Garvey não tinha sido educada para acreditar no Arrebatamento. 
Ela não tinha sido educada para acreditar em nada, na verdade, a não ser na tolice da crença em si."


Autor: Tom Perrotta
Editora: Intrínseca

   No dia 14 de outubro muitas pessoas desapareceram. Simplesmente evaporaram, em um segundo estavam lá, no outro não estavam. Seria o Arrebatamento? Como as pessoas reagiriam a isso, e o mais importante, como seguiriam com suas vidas?

   Em Mapleton, a Partida Repentina, como o evento foi chamado, despedaça famílias e interfere indiretamente em outras. Os relacionamentos familiares e sociais têm sua dinâmica modificada, e assim como no resto do país, muitas coisas se modificaram. Grupos foram formados, entre eles os Remanescentes Culpados, os Pés Descalços e o liderado por Santo Wayne, e algumas pessoas não conseguem retomar de onde estavam.

   O novo prefeito de Mapleton, Kevin Garvey, tenta trazer uniformidade e o máximo de normalidade a essa comunidade, mas sua própria família é afetada. Ninguém desapareceu, mas sua esposa Laurie se junta aos Remanescentes Culpados, seu filho Tom segue o Santo Wayne e sua filha Jill permanece ao seu lado, mas tem uma drástica mudança de personalidade e comportamento. 

   Comprei o livro na Bienal, por 5 reais, e não me arrependi. Uma coisa que me deixou muito satisfeita foi o livro não ter sido levado pelo lado religioso. Não há uma religião central nem fanatismo, mas é centrado na relação pessoal e as consequências da Partida na sociedade. Acompanhamos de perto o sofrimento das pessoas, o não ter certeza do que houve com seus entes queridos, vizinhos, amigos, e o modo como alguns conseguem lidar com isso e outros simplesmente se perdem.

   A história explora de uma ótima maneira o jeito como as pessoas às vezes se voltam ao fanatismo e à crença cega em alguma coisa para superar algo traumático. E percebemos a perda da capacidade de raciocínio e clareza frente à dor. Não me refiro necessariamente à se juntar à um grupo, mas também no comportamento no dia-a-dia. 

   Os personagens são cativantes, e me vi torcendo para que um mudasse de atitude ou outro conseguisse um final feliz. Foi sofrido ver como estavam desperdiçando seu tempo, ou se enganando em algumas situações. O autor conseguiu lidar e mostrar perfeitamente a complexidade de sentimentos de um ser humano, e o modo diferente de reagir a uma mesma situação.

   Não fiquei completamente satisfeita com o final do livro, mas o entendo. Por mais que queria que fosse outro, não consigo imaginar outro que coubesse tão bem no andamento do livro. O autor está adaptando o livro para uma série na HBO e estou ansiosa para assistir. Espero que não deturpem a história ou o foco do enredo. E vocês, já leram? Deixem seus comentários!

Atualizando à pedido:

   O livro tem 317 páginas, que são amareladas. Uma coisa que me incomodou e eu esqueci de falar é que a fonte é pequena, então atrapalha um pouco, principalmente à noite. 

Boa leitura!

Garota Exemplar

"É uma época muito difícil para ser uma pessoa, apenas uma pessoa real, de verdade, 
em vez de uma coleção de traços de personalidade escolhidos
 de uma interminável máquina automática de personagens.
E se todos nós estamos atuando, não pode existir algo como uma alma gêmea, 
porque não temos almas genuínas."



Autora: Gillian Flynn
Editora: Intrínseca

    Amy, casada com Nick, desaparece na manhã do quinto aniversário de casamento deles. Preocupado com o que pode ter acontecido, Nick chama a polícia. A porta estava escancarada, o gato, que nunca podia sair, do lado de fora e a sala extremamente bagunçada. Mas o que realmente aconteceu ali? E o mais importante, aonde está Amy?

    A sinopse do livro pode parecer simples, mas a história é muito mais complexa. Meu namorado leu esse livro em inglês, no original "Gone Girl", e ficou imerso nela até terminar, e curiosa como sou, fiquei intrigada. Tenho um conhecimento menor que o dele de inglês e confesso, sou um pouco preguiçosa para ler nessa língua, então a curiosidade não venceu e acabei não lendo. Algum tempo depois, o livro foi lançado no Brasil, e comprei o ebook na pré-venda na Amazon. Tendo outros livros para ler, acabei postergando a leitura. Quando comecei a ler, não conseguia parar.

   O livro é extremamente movimentado. É dividido em duas partes, e há várias reviravoltas. Começamos conhecendo o casal, o que faziam, aonde moravam, como se conheceram. Os capítulos são intercalados entre Nick e Amy, sendo as partes de Amy um diário seu, e Nick narrando o que acontece desde seu sumiço. 

    Adoro histórias de suspense, e tenho uma queda por reviravoltas surpreendentes e o livro é cheio das duas coisas. O final é totalmente imprevisível e eletrizante, e o livro levanta questões existenciais o tempo todo. Problemas de relacionamento, caráter, dramas do passado, tem de tudo. E você passa o tempo todo em um intenso estado nervoso, na expectativa de como vai terminar. 

   Uma coisa é certa, eu não soube de qual personagem eu gostava mais, toda hora a autora dá novas informações que fazem você se sentir de uma forma totalmente diferente em relação a algum personagem. Trata o relacionamento de duas pessoas e o casamento de uma forma muito crua e real.

   A única coisa que realmente me irritou um pouco foram algumas partes em que a tradução não fez o menor sentido. Por exemplo, no dia do sumiço, os capítulos começam com "The day of", uma expressão que seria o que conhecemos como o Dia D, um dia importante, que poderia ser colocado como "O dia do sumiço". Mas foi traduzido para "O dia do". Sério, que sentido faz essa expressão para nós, brasileiros? Nenhum.

   Relevando essa questão da tradução, o livro vale muito a pena. Estou muito feliz que muitas autoras estão fazendo tanto sucesso com livros de primeira viagem. Me faz sentir esperançosa que surjam livros cada vez mais interessantes.

Feita de Fumaça e Osso

"Karou desejava ser o tipo de garota completa em si mesma,
que se sente bem com a solidão, serena."


Autora: Laini Taylor
Editora: Intrínseca

   Karou vive em Praga, tem cabelos azuis e cursa Arte. Tem um ex-namorado chato e uma melhor amiga companheira e engraçada. Até aí entramos numa personagem normal de livros que estamos acostumados a ler. Entretanto, o verdadeiro lar de Karou é a loja de Brimstone, um demônio quimera que realiza desejos. E seu cabelo azul? É natural.  

   Karou não conhece os pais e desde que se lembra foi criada na loja com Brimstone e outras quimeras, mas não sabe nada de sua história e nem porque Brimstone precisa dos dentes que ela e várias pessoas levam à sua loja. Sua vida é bem corrida, pulando entre um dia normal na faculdade e amigos para uma caçada em vários países, correndo vários períodos por dentes de várias espécies.

  A loja de Brimstone tem portas espalhadas pelo mundo todo e começam a aparecer misteriosas marcas de mãos queimadas nelas, e as quimeras se tornam mais tristes e nervosas. Ao mesmo tempo, Karou tenta lidar com problemas no mundo humano, e com seus desafios interiores. Karou se divide entre os dois mundos, e sente o tempo todo como se devesse estar em outro lugar, fazendo outra coisa. Depois de uma semana especialmente trabalhosa, Karou se depara com um ser que ela não sabia que existisse, um anjo, Akira. E sua vida muda totalmente.

   A sinopse me deixou extremamente curiosa. Apesar de ser bem mais curta do que a divagação acima, é intrigante. Comecei a ler e fiquei desesperada para terminar. A história é muito intensa e movimentada. Karou é uma personagem misteriosa e independente, mas que tem um toque de confusão que faz com que se torne apaixonante. E existe um grande mistério por trás de sua história que nos obriga a descobrir qual é.

 Ri, chorei, torci, fiquei com raiva. Passei por inúmeras emoções durante a leitura. E tem continuação. E não foi traduzida. A pior coisa para um leitor. E pior que continuação. Trilogia. E agora caio na mesma situação de sempre: esperar. Vou lendo outras coisas enquanto isso, tentando distrair, e imaginando o que houve com os personagens até lá.

  Muito boa a leitura. Um dos livros que me prendeu bastante e me fez ficar perdida na história. Karou, Akira, as quimeras, são personagens muito complexos e interessantes, e existe um enredo por trás desse que nos faz querer saber mais. Tenho certeza que a espera pela continuação será recompensada.
   

EXTRAORDINÁRIO


"Sabe o que eu acho? A única razão de eu não ser comum é 
que ninguém além de mim me enxerga dessa forma."


Autor: R. J. Palacio
Editora: Intrínseca

   August, ou Auggie, é um menino normal, gosta de sorvete, de brincar, de Star Wars, de sua cachorrinha Daisy. Uma coisa o difere dos outros garotos: sua aparência. Auggie herdou geneticamente uma doença que junto com outros problemas lhe causou uma severa deformidade facial. Ele nunca frequentou à escola e passou por várias cirurgias e tratamentos para tentar melhorar seus problemas de saúde, mas quando chega aos 10 anos e sua saúde tem uma melhora, seus pais o colocam na escola.

   Começa então uma nova vida para Auggie. Ele tem até esse momento um melhor amigo que vive em outra cidade e não convive muito com as crianças da vizinhança. Terá que enfrentar várias crianças desconhecidas, professores, pais, e lidar com suas reações à sua aparência.

   O livro é dividido em oito partes, três são narradas por August e as outras por outros personagens. Achei muito interessante essa divisão pois podemos avaliar uma situação pela visão de mais de um personagem, o que torna a cena mais completa e complexa. Outro ponto também é que podemos nos informar previamente de coisas que Auggie ainda não sabe ou explicações de coisas que ele soube.

   A vida de Auggie é complicada, mas também carrega essa complicações para sua família. Ele mora com seus pais e sua irmã, Via, e sua doença afeta diretamente a eles também. Vemos no livro a evolução e o amadurecimento de August com a escola, mas percebemos também essa mesma mudança em seus amigos e sua família.

   A história carrega assuntos pesados e dolorosos de uma forma mais leve e às vezes até divertida. Sua família é bem unida e amorosa, e Auggie tem apoio incondicional de seus pais. Via é um personagem forte, mas com suas fraquezas, normais da sua idade. Os personagens são realistas, e isso torna a trama muito mais interessante. Gostei de ver as reações de Auggie frente ao bullying e sua coragem ao lidar com os problemas do dia-a-dia e de sua deficiência. É um exemplo a se espelhar.

   É um livro muito emotivo e emocionante, mas ao mesmo tempo a escrita é simples e fácil de acompanhar. Um ótimo feito para a primeira obra da escritora. Espero que ela continue a escrever e pretendo ler o próximo livro que for escrito.

   Recomendo esse livro a todos. Crianças tem que ter essa noção do que o bullying pode fazer com alguém, e de como reagir a isso. Pais deveriam saber que um problema com seu filho não é o fim do mundo, e que as coisas podem ser superadas e transformadas numa situação normal. E pessoas com deficiência tem que saber que são seres humanos capazes de tudo que quiserem e merecedoras de respeito e amizade como qualquer outro.
 

A Culpa É Das Estrelas

"Meus pensamentos são estrelas que eu não consigo arrumar em constelações."


Autor: John Green
Editora: Intríseca

   A história gira em torno de Hazel Grace, uma menina de 16 anos vítima de um câncer de tireóide, mas que se espalha e se encontra no estágio IV (terminal). Sua mãe resolve que ela estaria em depressão, e o médico indica um grupo de apoio que ela passa a frequentar. Nesse grupo ela conhece Isaac, cego de um olho e com câncer no segundo e Augustus, que teve câncer e tem uma perna amputada, mas já está sem sinais dele.
 
   Com isso ela passa seus dias lendo, vendo American Next Top Model e outros programas do gênero, tendo suporte respiratório pois seus pulmões não respiram mais sozinhos, mas mantendo um ar irônico e realístico sobre sua vida e o que a cerca. Sua mãe passa os dias ao seu lado e seu pai trabalha fora, sustentando a família.
 
   Tenho que confessar que o livro me emocionou e me surpreendeu. Estava esperando um final e um desenrolar que fico feliz em dizer, não vieram. A primeira vista, Hazel e Augustus parecem ser muito parecidos, mas numa análise maior, percebe-se que são muito diferentes, embora os dois sejam apaixonantes.
 
   O livro é relativamente pequeno e a leitura é rápida , mas me pareceu que eu queria arrastar o final e imaginar a história, viajar com os personagens antes que o escritor terminasse sua história. Lidamos com a doença, com a reação dos parentes, com a reação dos pacientes, com a luta de ter uma vida com câncer e não uma batalha contra ele. E o livro tem tantos dilemas existenciais que é impossível não pensar em um deles.
 
    Apesar da temática, existem inúmeros momentos divertidos, sarcásticos, apaixonantes, e acho que isso é que faz o livro ser tão especial, a forma de lidar com o tema mostrando que até uma pessoa com tempo limitado de vida pode ter uma vida normal, e que não é por ser doente que eles não estão vivos e não merecem ter as experiências que todos temos.

   Quando leio algo assim, sempre fico feliz em não estar doente, e não ter essa perspectiva de morte iminente, e ter o tempo ao meu favor. Mas sempre fico irritada quando vejo uma visão de que à beira da morte devemos viver mais intensamente. Como Hazel diz no livro, por não estarmos doentes, achamos que não iremos morrer, o que não é nem de perto, a verdade. Estamos todos à beira da morte, somente pelo fato de estarmos vivos. Então porque não aproveitarmos o tempo para viver, e quem sabe, deixar nossa tão esperada marca, o mais cedo possível?

Mais informações: http://www.aculpaedasestrelas.com.br/

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